De
ferramentas tecnológicas, qualquer um pode dispor, mas a cereja do bolo
chama-se conteúdo. É o que todos buscam freneticamente: vossa majestade, o
conteúdo. Mas onde ele se esconde? Dentro das pessoas. De algumas delas. Fico
me perguntando como é que vai ser daqui a um tempo, caso não se mantenha o já
parco vínculo familiar com a literatura, caso não se dê mais valor a uma
educação cultural, caso todos sigam se comunicando com abreviaturas e sem
conseguir concluir um raciocínio. De geração para geração, diminui-se o acesso
ao conhecimento histórico, artístico e filosófico. A overdose de informação faz
parecer que sabemos tudo, o que é uma ilusão, sabemos muito pouco, e nossos
filhos saberão menos ainda. Quem irá optar por ser professor não tendo local
decente para trabalhar, nem salário condizente com o ofício, nem respeito
suficiente por parte dos alunos? Os minimamente qualificados irão ganhar a vida
de outra forma que não numa sala de aula. E sem uma orientação pedagógica de
nível e sem informação de categoria, que realmente embase a formação de um ser
humano, só o que restará é a vulgaridade e a superficialidade, que já reinam,
aliás. O fato é que nos tornamos uma sociedade muito irresponsável, que está
falhando na transmissão de elegância. Pensar é elegante, ter conhecimento é
elegante, ler é elegante, e essa elegância deveria estar ao alcance de qualquer
pessoa. A economia do Brasil vai bem, dizem. Mas pouco valerá se formos uma
nação de medíocres com dinheiro.
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