Por
que acreditamos em ''fake news'', as notícias falsas que circulam na internet?
O que os estudos no campo da psicologia da mentira ensinam é que a vantagem
inicial é dos enganadores. Isso porque humanos tendemos a aceitar como corretas
as informações que chegam até nós. O nome dessa predisposição é ''viés de
verdade''.
Existem
algumas explicações para seu surgimento. Em primeiro lugar, assumir como
verdadeiro aquilo que nos é contado é, em termos heurísticos, o melhor chute que
podemos dar, já que na vida diária recebemos mais informações corretas do que
falsas de parentes, amigos etc.
No
mais, o dano social de acreditar falsamente que alguém é um mentiroso ou de
exigir que todos provem tudo o que falam tende a ser maior do que o de
acreditar eventualmente numa falsidade. Muito ceticismo não é bom para a vida
social.
É
claro que isso é só o início do jogo. Se alguém mente para nós repetidas vezes,
começamos não só a desconfiar desse indivíduo como também a espalhar que ele é um
embusteiro. A fofoca, e o prejuízo que ela causa à reputação, opera como
contrapeso ao viés de verdade. É um controle ''a posteriori'', mas funciona
bem, especialmente em grupos pequenos, onde todos se conhecem.
O
problema é que hoje vivemos numa comunidade virtual de bilhões de pessoas, a
internet, que permite que garotos na Macedônia criem notícias falsas sobre as
eleições americanas e as espalhem sem temer dano reputacional. Para piorar,
sistemas populares de distribuição de notícias, como o Google e
o Facebook, se valem de algoritmos que consideram apenas a taxa de
leitura, sem ligar para a veracidade dos dados.
O que
precisaríamos fazer seria introduzir na rede um análogo da fofoca, que distinga
entre fontes confiáveis e mentirosas. Não é fácil, já que estamos falando de um
ambiente cujos pontos altos são justamente a plena liberdade e o quase
anonimato.

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